19 de outubro de 2014

Novidades a caminho!

Bem, a partir de hoje vou tentar implementar mudanças aqui no blog, posts novos com muitas novidades. A primeira delas é que o blog (mesmo ainda com a carinha e usando a plataforma do blogger) agora faz parte do domínio andrerbarros.com.br, a compra de um domínio próprio foi o primeiro passo para o primeiro ciclo de mudanças e novidades.

Vou tentar postar um pouco do que estou pesquisando e descobrindo no processo de exploração e escrita da dissertação do mestrado, e outros temas sobre arte e moda contemporânea que vou pesquisando.

Parte das novidades ficarão por conta de uma série de criações que estou desenvolvendo (modelagem, costura, desenho, escolha de tecidos e aviamentos, e etc.) e vou usar este espaço (ao menos tentar) para postar o cotidiano desses processos.

No próximo post vou mostrar um pouco de uma criação que já faz duas semanas que estou trabalhando nela, e quais os desafios de se aventurar no mundo da moda como criador (em formação, hehe).

André.


8 de agosto de 2014

JÁ PARA A COZINHA

‘Cozinhas Temporárias’ é o tipo de obra de arte que nos faz (re)pensar em nossos papéis como atores sociais e nossas responsabilidades. As artistas e pesquisadoras Ines Linke e Louise Ganz entrincheiraram-se por entre as ruas de um bairro localizado na região metropolitana de Belo Horizonte para mapearem e buscarem através de conversas com moradores e funcionários de empresas locais por todo e qualquer pedaço de terra (quintais, terrenos vagos) que pudesse ser utilizado.


Thislandyourland, como são conhecidas as artistas, invade o espaço cotidiano alterando a percepção dos participantes (moradores) através de processos de trabalho compartilhados que são capazes de potencializar a percepção das pessoas em relação ao ambiente em que vivem e que as circunda através de práticas de reflexão a partir de práticas de criação, de expressão e intervenção.



As artistas propõem a (re)ocupação dos quintais das casas e de terrenos não utilizados no bairro Jardim Canadá em Nova Lima, para o plantio de frutas, hortaliças e outros produtos, da utilização de vasos, baldes, jardineiras para aqueles que não tem uma porção de terra, ou que moram em apartamentos ou áreas totalmente impermeabilizadas pelo concreto das cidades.


Os moradores por sua vez tomam consciência de todo o processo de caráter social, transformador, as artistas são nesse sentido mediadoras e agentes promotores de ações e situações. Essas situações foram arquitetadas para aproximar os moradores desse bairro em torno de atividades experienciais que tinham como objetivo de acordo com as próprias artistas “a colaboração dos moradores no empréstimo dos espaços e com a coleta de produtos nos quintais do entorno, cozinhando apenas com os produtos coletados nos quintais”, e acima de tudo, “criar situações que permitissem uma forma de sociabilidade e modos alternativos de ocupar e consumir a cidade”.

O ato de cozinhar somente com os produtos obtidos localmente, envolvendo os moradores (participantes) em sua produção e obtenção levou-os a situações indefinidas, já que não sabiam – e não podiam controlar - qual seriam os pratos preparados até que se obtivessem os insumos. Os espaços para preparação, consumo e reunião para degustação foram todos conseguidos por parcerias ou empréstimos por parte dos próprios moradores do bairro Jardim Canadá.
omelete preparado pela população local com produtos locais
comida preparada com produtos produzidos localmente

A contemporaneidade nos exige cotidianamente ações mais sustentáveis: consumo consciente, máximo aproveitamento dos recursos disponíveis, zero desperdício e outros, impelindo-nos a uma alteração de nosso modo de vida.
mobiliário desenvolvido para o projeto 'Cozinhas temporárias'

A experiência ‘Cozinhas temporárias’ não promove o abandono às idas ao supermercado, ao consumo de produtos advindos de grandes redes de produção nacional e mundial, e sim, o estabelecimento de ‘situações’ concretizadas através de gestos artísticos performáticos que levam a reflexão de como a sociedade contemporânea moldou, e continua moldando, nossos comportamentos, de como estamos deslocados e perdemos o contato com a natureza humana.


Horta comunitária

Depois da colheita, preparação dos alimentos


fonte das imagens: http://www.thislandyourlandtrabalhoseprojetos.blogspot.com.br/

7 de novembro de 2013

MANIFESTO CRIATIVO COMME DES GARÇONS

(Ou) REI KAWAKUBO: DESIGNER/ CRIADORA/ ARTISTA PREOCUPADA COM OS RUMOS DE SUAS CRIAÇÕES

No último dia 27 de outubro, Rei Kawakubo (Comme des Garçons) publicou na revista System um manifesto que faz referência direta à coleção de primavera-verão da marca desfilada no fim do mês de setembro. Esta não é a primeira vez que Rei e CdG se utilizam desse recurso que é próprio do mundo da arte, já o tinham feito quando do lançamento da guerrillas stores, mas disso falaremos em um post futuro.


 
                                   Looks da coleção SS 2014 desfilados mês passado em Paris.

O que leva uma marca como a Comme des Garçons a lançar um manifesto um mês após o lançamento da coleção? 



Bem, em minha opinião, a coleção deve ter suscitado muitos questionamentos aos editores presentes na platéia do desfile, e aos consumidores, ao apresentar objetos que são muito mais objetos para serem postos sobre o corpo do que roupas. E para muitos o que Rei Kawakubo e Comme des Garçons apresentaram foi uma coleção que se aproxima da arte, uma coleção que flerta e se utiliza da arte para se expressar.

Ao lermos o manifesto publicado percebemos que Rei Kawakubo se coloca na posição de uma artista que contesta o mundo que a cerca, as fontes de referência de um criador, de acordo com o escrito não podem pré-existir. Rei contesta todas as fontes tradicionais mostrando-nos que o que resta é o artista/criador como interface interpretativa do mundo:


"Só posso esperar pela chance  algo completamente novo nasça dentro de mim".


E deixa claro para os leitores, que nada vem fácil, que o processo criativo - para ela - é permeado pelo sofrimento do designer/ criador/ artista que deseja entregar ao mundo 'coisas' que sejam novas, nunca antes vistas num momento da contemporaneidade em que tudo parece já ter sido feito.


"Esta regra que eu sempre dou a mim mesma: que nada novo pode vir de uma situação que envolva ser livre ou que não envolva sofrimento".


Reprodução do manifesto original.







































O MANIFESTO CRIATIVO¹


Visitar museus e galerias, ver filmes, falar com pessoas, ver novas lojas, olhar para revistas tolas, prestar atenção nas atividades das pessoas na rua, olhar arte, viajar: todas essas coisas não são úteis, essas coisas não me ajudam, não me dão nenhum estímulo direto para ajudar minha pesquisa por algo novo. E nem para a história da moda. A razão para isso é que todas essas coisas acima, já existem.

Somente posso esperar pela chance que algo completamente novo nasça dentro de mim.

A maneira que vou olhando para isto intimamente é começar com um 'tema' temporário. Eu crio uma imagem abstrata na minha mente. Eu penso paradoxalmente (oposicionalmente) sobre os padrões que eu já usei. Eu coloco partes dos padrões em lugares nos quais eles geralmente não se encaixam. Eu rompo com a ideia de 'roupa'. Eu penso em usar, para tudo, o que usariam normalmente para uma coisa. Eu me imponho limites. Eu persigo uma situação na qual eu não sou livre. Eu penso num mundo onde só tenha as mais pequenas e estreitas possibilidades. Eu me enclausuro. Eu acho que tudo o que se fez até hoje, relacionado ao fazer roupas, não é bom. Essa é a regra que eu sempre me imponho: que nada novo pode vir de uma situação que envolva ser livre ou que não envolva sofrimento.


Para fazer esta coleção de primavera-verão 2014, eu queria mudar a rota usual dentro da minha mente. Tentei olhar para tudo que eu olho de uma maneira diferente. Eu pensei em uma maneira de fazer isto que foi começar com a intenção de nem tentar fazer roupas. Eu tentei pensar e sentir e ver como se eu não estivesse fazendo roupas.

Rei Kawakubo, outubro 2013.

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1. Tradução livre feita pelo autor do blog.

5 de novembro de 2013

THEY CAN POP UP, THEY CAN MOVE

(OU) DUAS INICIATIVAS MÓVEIS PARA AGITAR A CIDADE



Sempre que falamos em iniciativas ‘pop up’ lojas são as primeiras a serem citadas. Mas já pensou em uma área verde pop up e móvel, e em uma praça e a possibilidade de variadas atividades surgindo onde quer que se precise delas?

Baku, a capital do Azerbaijão e um time de designers provou ser capaz de deixar a cidade mais verde com o projeto ParkcycleSwarm, e a possibilidade de ‘construir’ um parque público e instantâneo em qualquer parte da cidade.


A plataforma pedalável pode ocupar desde a área equivalente a ocupada por um carro, ou vários módulos podem se juntar instalando uma grande área verde e de lazer. O projeto tem como objetivo discutir as extensas áreas reservadas aos automóveis, e cada vez menos espaços de recreação.


O Cricklewood Town Square um espaço público móvel conectado a uma bicicleta transforma espaços vazios em eventos comunitários. Em seu interior carrega bancos, mesas, jogos, guarda-sóis, tudo que possa transformar uma grande área vazia e subutilizada em um grande evento a céu aberto.



Com pouco mais de dez metros quadrados quando aberto e desmembrado, o projeto pretende levar diversão e espaços de convívio em comunidade para Cricklewood no nordeste de Londres. A estrutura pode assumir a função de biblioteca, venda de comida, e é um bom exemplo de iniciativa que pode ser posta em prática em todas as cidades e comunidades pelo mundo todo.

E que tal pensarmos em iniciativas similares para as cidades brasileiras, grandes ou pequenas, mais ricas ou mais pobres.

André Ribeiro de Barros